O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês) concluiu uma revisão dos registros de jornalistas e trabalhadores de mídia mortos em Israel e nos territórios palestinos ocupados. O levantamento, divulgado em 24 de setembro de 2026, examinou 229 mortes ocorridas entre outubro de 2023 e agosto de 2026.
De acordo com o Committee to Protect Journalists, a análise resultou na retirada de 22 pessoas da base como jornalistas, na reintegração de seis nomes e na reclassificação de outros 12 casos. A entidade afirmou que não modificou sua metodologia nem sua definição de jornalista ou trabalhador de mídia.
Revisão aplicou critérios já existentes
Segundo o CPJ, as alterações ocorreram após a reaplicação dos critérios já adotados pela organização às novas informações reunidas durante a investigação. O processo considerou diferentes tipos de evidência, incluindo trabalhos publicados, postagens em redes sociais, fotografias, vídeos, declarações e outros materiais disponíveis.
A organização informou que, em 220 dos 229 casos analisados, os pesquisadores conversaram com pelo menos duas pessoas que conheciam as vítimas. Essa etapa buscou ampliar a verificação das informações individuais e contribuir para uma classificação mais consistente dos registros em uma situação marcada pela dificuldade de acesso a dados confiáveis.
A revisão não se limitou a conferir nomes e números. Ela também examinou se cada pessoa atendia aos critérios utilizados pelo CPJ para ser reconhecida como jornalista ou trabalhadora de mídia. O procedimento é relevante porque bases desse tipo são usadas por pesquisadores, entidades de liberdade de imprensa e profissionais de comunicação para acompanhar os riscos enfrentados no exercício da atividade jornalística.
Auditoria externa avaliou procedimentos
Depois da revisão interna, o CPJ contratou uma auditoria externa, concluída em agosto de 2026, para avaliar a consistência dos procedimentos e dos resultados. A medida acrescentou uma etapa independente ao processo de atualização dos registros e reforçou a preocupação da entidade com a transparência metodológica.
Conforme o comunicado do CPJ, a auditoria recomendou maior clareza na descrição dos procedimentos, especialmente nos casos relacionados à possível participação de indivíduos em combates. A recomendação não foi apresentada como uma mudança na definição adotada pela organização, mas como um apontamento para tornar mais explícita a forma como determinadas situações são analisadas.
Em contextos de conflito, a verificação de mortes de profissionais da imprensa envolve obstáculos adicionais. Informações podem ser incompletas, contraditórias ou divulgadas por fontes com diferentes níveis de acesso aos acontecimentos. Por isso, a explicação sobre critérios, evidências e etapas de revisão é parte importante da credibilidade de qualquer levantamento sobre violência contra jornalistas.
Base de dados permanece em atualização
O CPJ mantém uma base de dados sobre jornalistas mortos, que reúne informações utilizadas no acompanhamento global da segurança de profissionais de imprensa. A entidade também disponibiliza uma página de metodologia e perguntas frequentes com explicações sobre os critérios aplicados aos registros.
A revisão divulgada em setembro mostra que bases de dados jornalísticas não são estruturas necessariamente definitivas. Novos documentos, testemunhos e informações públicas podem levar à retirada, reintegração ou reclassificação de casos. Esse processo não significa, por si só, alteração nos critérios, mas indica que a qualidade dos registros depende de apuração contínua e da disposição para corrigir informações quando surgem novos elementos.
Para jornalistas, estudantes, pesquisadores e organizações que acompanham a liberdade de imprensa, o caso oferece um exemplo de como estatísticas sobre mortes em zonas de conflito precisam ser tratadas com cautela. Mais do que apresentar um total, é necessário explicar quem foi incluído, quais evidências foram consideradas e como as decisões foram revisadas.
Ao atualizar 40 registros — entre exclusões, reintegrações e reclassificações — e submeter o trabalho a uma auditoria externa, o CPJ destacou a importância de combinar documentação, critérios claros e mecanismos de controle. A iniciativa também reforça que a transparência sobre a metodologia é fundamental para que dados sobre jornalistas mortos possam ser consultados e interpretados de maneira responsável.