A Deutsche Welle decidiu manter seu serviço em língua grega a partir de 2027, embora em formato reduzido. A operação havia sido incluída em um plano de encerramento anunciado para 1º de janeiro do próximo ano, mas o Conselho de Radiodifusão da emissora aprovou a revisão da medida em 18 de setembro de 2026. A decisão foi divulgada nos dias seguintes pela própria emissora e por organizações ligadas ao jornalismo.
A reversão ocorreu depois de meses de mobilização de profissionais e entidades sindicais na Alemanha e na Grécia. A União dos Jornalistas dos Jornais Diários de Atenas (JUADN) e a União Alemã de Jornalistas, vinculada à ver.di, defenderam publicamente a permanência da redação grega. A campanha também recebeu apoio da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) e da Federação Europeia de Jornalistas (EFJ).
Serviço será integrado a uma nova estrutura
Com a mudança, o serviço em grego não será eliminado, mas passará a funcionar com recursos menores. A equipe será integrada ao departamento “Connect Europe”, estrutura que reunirá a operação dentro da organização da Deutsche Welle. Segundo a IFJ, o orçamento editorial deverá ficar em aproximadamente 400 mil euros por ano, ante 700 mil euros previstos para 2026.
A manutenção, portanto, não representa a preservação integral do modelo atual. A redução financeira deve limitar a estrutura e o alcance da operação, ainda que impeça o desaparecimento completo de uma das 32 operações linguísticas da emissora. O caso expõe o desafio enfrentado por veículos públicos internacionais que precisam conciliar restrições orçamentárias com a oferta de jornalismo para públicos específicos.
Cortes orçamentários motivaram encerramento
O encerramento do serviço em grego havia sido anunciado em fevereiro de 2026 como parte de um programa de redução de custos. De acordo com informações divulgadas pela Deutsche Welle em português, o governo alemão reduziu em 10 milhões de euros o subsídio destinado à emissora naquele ano, para 415 milhões de euros.
A emissora também enfrentava despesas adicionais associadas a reajustes salariais. O pacote de economia previsto alcançava 21 milhões de euros, contexto que levou a Deutsche Welle a reavaliar atividades e estruturas. A decisão inicial de encerrar o serviço grego se inseria nesse esforço mais amplo de contenção financeira.
A revisão aprovada em setembro ocorreu depois de protestos e manifestações de organizações de jornalistas. A ARD e o tagesschau relataram a reversão da medida após a pressão pública. O Deutschlandfunk também informou que a redação grega continuará, mas em condições reduzidas.
Pluralidade linguística e função pública
A continuidade do serviço tem importância que ultrapassa a manutenção de uma equipe editorial. A programação em grego da Deutsche Welle tem histórico de atendimento ao público da Grécia em períodos de tensão política, incluindo a ditadura militar e a crise do euro. Para as entidades que participaram da mobilização, a presença de uma redação dedicada contribui para a pluralidade de vozes e para o acesso a informação produzida em idioma local.
Em sua cobertura sobre a decisão, a Deutsche Welle em grego confirmou a continuidade do programa a partir de 2027. A escolha preserva um canal jornalístico voltado diretamente a falantes de grego, ainda que em escala menor e sob uma configuração administrativa diferente.
O episódio também evidencia uma tensão recorrente no financiamento da mídia pública: cortes podem exigir a concentração de recursos em operações consideradas prioritárias, mas afetam a diversidade regional e linguística. No caso da Deutsche Welle, a economia prevista evitou o encerramento total do serviço, mas reduziu a capacidade financeira destinada à cobertura.
Uma decisão com impacto além da Alemanha
A Deutsche Welle é uma emissora pública internacional alemã, e suas decisões editoriais alcançam públicos fora do país. Por isso, a disputa em torno do serviço em grego envolve não apenas a gestão de despesas, mas também a função de uma instituição pública na oferta de informação internacional em diferentes idiomas.
A decisão de setembro não elimina a pressão financeira sobre a emissora nem garante a manutenção do formato anterior. Ela representa, porém, uma mudança em relação ao plano anunciado em fevereiro. A partir de 2027, o serviço grego continuará ativo, com orçamento reduzido e integrado ao “Connect Europe”, enquanto sindicatos e organizações jornalísticas celebram a preservação da redação como uma vitória para a pluralidade na mídia.