A busca por ganho de massa muscular e desempenho físico pode levar atletas e praticantes de musculação a recorrerem a substâncias que ainda estão sob investigação. É nesse ponto que os moduladores seletivos de receptores androgênicos, conhecidos como SARMs, despertam atenção: eles aparecem associados tanto a possíveis aplicações terapêuticas quanto ao uso indevido em ambientes esportivos.
O tema foi incluído entre os destaques de medicina esportiva divulgados em 22 de outubro de 2026 pelo American College of Sports Medicine (ACSM). A entidade apresentou uma revisão sobre os SARMs como um dos trabalhos de maior impacto clínico do período entre julho e outubro de 2026.
O que são os SARMs
Os SARMs são descritos na revisão como uma linha de investigação voltada a substâncias capazes de atuar de maneira seletiva sobre receptores androgênicos. O interesse científico está relacionado à possibilidade de desenvolver aplicações terapêuticas para condições associadas à perda de massa muscular, um campo que envolve a preservação ou a recuperação de tecido muscular em determinados contextos clínicos.
Esse estágio de pesquisa, porém, não deve ser confundido com uma autorização ampla para uso esportivo ou recreativo. A existência de estudos sobre uma substância não significa que ela seja segura, indicada ou liberada para pessoas que desejam acelerar resultados na academia. A própria seleção feita pelo ACSM destaca a diferença entre a investigação clínica e o uso não autorizado por populações esportivas.
Por que essas substâncias atraem quem treina
O interesse entre atletas e praticantes de musculação está ligado à expectativa de obter aumento de massa muscular e melhora de desempenho. Os SARMs costumam ser apresentados nesse contexto como uma alternativa aos esteroides anabolizantes, com a promessa de produzir efeitos semelhantes e menos consequências adversas. Essa associação, contudo, não transforma produtos experimentais ou comercializados fora de controle em suplementos esportivos convencionais.
Para o público que treina, a principal questão é separar categorias que muitas vezes são colocadas no mesmo grupo. Proteínas, creatina e carboidratos em pó são suplementos esportivos; SARMs pertencem a outra categoria, relacionada a substâncias em investigação e ao uso indevido descrito na revisão. A semelhança de apresentação em anúncios ou lojas virtuais não comprova equivalência de finalidade, controle ou segurança.
O risco do uso fora de pesquisas clínicas
Segundo o destaque publicado pelo ACSM, o crescimento do uso indevido alcança populações clínicas e esportivas. Na prática, isso inclui o emprego de SARMs por pessoas que não participam de pesquisas clínicas e que buscam resultados físicos por conta própria. O problema central é que a decisão passa a ser tomada fora do contexto em que uma substância é estudada, acompanhada e avaliada.
A automedicação também dificulta a distinção entre uma hipótese terapêutica e uma indicação reconhecida. Uma substância pode ser objeto de investigação por seu potencial relacionado à massa muscular sem que isso autorize seu consumo por atletas ou praticantes recreacionais. Por esse motivo, o uso de SARMs não deve ser apresentado como estratégia segura de hipertrofia nem como substituto de suplementos regulamentados.
O que a revisão ajuda a esclarecer
O trabalho destacado pelo ACSM contribui para organizar um debate que costuma ser dominado por promessas de transformação corporal. De um lado, estão as pesquisas que avaliam possíveis aplicações terapêuticas para problemas relacionados à perda de massa muscular. De outro, está a utilização por pessoas interessadas em desempenho, estética ou hipertrofia, muitas vezes fora de uma indicação médica ou de um protocolo de pesquisa.
Essa diferença é relevante porque o contexto muda completamente a avaliação de uma substância. Na pesquisa clínica, os SARMs são examinados como parte de uma investigação científica. No uso esportivo não autorizado, a decisão pode ocorrer sem a mesma estrutura de acompanhamento. A revisão destacada pelo ACSM coloca justamente essa expansão do uso indevido entre os pontos de atenção da medicina esportiva.
Para quem pratica musculação, a mensagem principal é evitar a interpretação de que o interesse científico equivale a uma recomendação. Os SARMs não devem ser confundidos com produtos comuns de suplementação, e a busca por ganho de massa muscular não elimina a necessidade de avaliar riscos. O alerta ganha importância à medida que substâncias investigacionais passam a circular no imaginário esportivo como atalhos para resultados físicos.