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Brasil é o quarto maior mercado fitness do mundo, mas ainda tem espaço para crescer

Diego Rodríguez
Diego Rodríguez 27 de julho de 2026
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Levantamento internacional mostra mais de 41 mil academias ativas no país, com penetração de apenas 7% da população.

Contents
Um mercado que quase triplicou em dez anosPor que a adesão da população ainda é baixaO que essa lacuna representa para o setor nos próximos anos

O Brasil consolidou uma posição de destaque no mapa mundial das academias, mas os próprios números do setor mostram que o mercado está longe de estar saturado. Segundo o relatório global da Health & Fitness Association, o país opera 41.332 academias ativas, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Índia e China em número de unidades. Ainda assim, apenas 7% da população brasileira frequenta esses espaços regularmente, uma taxa baixa se comparada ao tamanho da estrutura já instalada. Esse contraste entre oferta ampla e adesão ainda modesta levanta uma pergunta que interessa tanto a empresários quanto a consumidores: por que o setor cresce tanto em número de unidades, mas ainda não conquistou uma fatia maior da população, e o que isso significa para quem pensa em frequentar uma academia ou investir no ramo.

Um mercado que quase triplicou em dez anos

Os dados da 4ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil ajudam a entender a escala dessa expansão. O número de centros de atividades físicas ativos no país saltou de 22.581 CNPJs em 2015 para 62.718 em 2025, quase triplicando em uma década. Caso o ritmo atual se mantenha, a expectativa é que o Brasil ultrapasse a marca de 70 mil estabelecimentos já em 2027, o que reforça a posição do país entre os maiores mercados fitness do planeta. Um dado chama atenção nesse crescimento: 46% dos municípios brasileiros já contam com pelo menos um centro de atividades físicas em funcionamento, sinal de que a expansão avançou também para o interior, e não ficou concentrada apenas nas grandes capitais.

Apesar da força numérica, a maior parte desses negócios ainda é de pequeno porte, com até dez funcionários e uma única unidade em operação, segundo o próprio panorama setorial. Isso indica um mercado pulverizado, formado majoritariamente por empreendedores locais, e não dominado exclusivamente por grandes redes. Ao mesmo tempo, cresce a presença de redes de baixo custo em expansão acelerada, como a Bluefit e a Selfit, que junto de nomes como a Smart Fit têm ampliado a capilaridade do setor em diferentes regiões do país, disputando espaço com estúdios especializados em modalidades como pilates, que também vêm ganhando força entre o público mais maduro.

Por que a adesão da população ainda é baixa

O contraste entre o grande número de academias e a baixa frequência regular da população tem explicações que vão além do preço das mensalidades. Levantamentos do Sesi mostram que, em 2023, apenas 22% dos brasileiros se exercitavam diariamente e 21% frequentavam algum estabelecimento de atividade física, embora dados mais recentes do Datafolha, corroborados pelo IBGE, indiquem que cerca de 50% da população pratica atividades físicas com alguma regularidade, incluindo exercícios feitos fora do ambiente de academia. Essa diferença mostra que boa parte do movimento acontece em espaços públicos, ruas e parques, e não necessariamente dentro de estabelecimentos pagos.

Um fator que tem ajudado a reduzir essa barreira de acesso é o crescimento de plataformas de benefício corporativo, como Wellhub, antiga Gympass, e a TotalPass, criada pela própria Smart Fit. Esses serviços permitem que funcionários de empresas parceiras frequentem diferentes academias e estúdios por meio de planos oferecidos pelo empregador, ampliando o acesso sem que o custo recaia integralmente sobre o consumidor final. Some-se a isso o crescimento do acesso a medicamentos para tratamento da obesidade e o aumento da longevidade da população, fatores que especialistas apontam como parte do impulso recente ao interesse por atividade física no país, ao lado da influência de criadores de conteúdo digital voltados ao universo fitness.

O que essa lacuna representa para o setor nos próximos anos

A combinação entre estrutura ampla e adesão ainda limitada é vista pelo próprio setor como uma oportunidade de crescimento, e não como um sinal de estagnação. Como a penetração de mercado ainda é baixa em comparação a países com tradição mais consolidada nesse tipo de consumo, o espaço para atrair novos frequentadores permanece considerável, especialmente fora dos grandes centros urbanos, onde a chegada recente de academias cria demanda ainda pouco explorada. Isso também ajuda a explicar por que 73% das academias brasileiras concentram até 40% dos custos operacionais em pessoal, já que a competição por atrair e reter alunos exige investimento constante em atendimento e retenção.

Para o consumidor, esse cenário tende a significar mais opções de preço e formato nos próximos anos, com a convivência entre redes de baixo custo, estúdios especializados e plataformas de benefício corporativo ampliando as portas de entrada para quem ainda não frequenta uma academia. Já para quem pensa em empreender no setor, os dados indicam que o espaço para crescer existe, mas que a sobrevivência depende cada vez mais de gestão eficiente e diferenciação, e não apenas da abertura de novas unidades em um mercado que já não é mais tão inexplorado quanto há uma década.

O Brasil ocupa hoje um lugar de destaque global no setor fitness, mas os próprios números do mercado mostram que a disputa mudou de fase. Não se trata mais apenas de abrir academias, e sim de conquistar uma parcela maior de uma população que, apesar de todo o crescimento estrutural do setor, ainda frequenta esses espaços em proporção relativamente baixa. Esse descompasso entre oferta e demanda deve seguir orientando decisões de investimento e estratégias comerciais nos próximos anos.

Fontes: https://blog.sistemapacto.com.br/mercado-fitness-latino-americano-brasil-2026/?utm_source=chatgpt.com

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