O número de estabelecimentos fitness quase triplicou em uma década, mas especialistas apontam que gestão eficiente, e não apenas expansão, será o fator decisivo para o setor em 2026
O mercado de academias no Brasil vive um momento de expansão histórica. Segundo a quarta edição do Panorama Setorial Fitness Brasil, o número de centros de atividades físicas quase triplicou em dez anos, saindo de 22.581 CNPJs ativos em 2015 para 62.718 em 2025. Se o ritmo atual se mantiver, o país deve ultrapassar a marca de 70 mil estabelecimentos já em 2027, consolidando-se como um dos maiores mercados fitness do mundo. Esse crescimento acelerado, no entanto, vem acompanhado de desafios importantes de gestão que devem definir quais negócios vão prosperar e quais vão enfrentar dificuldades nos próximos anos.
Um setor que se espalha para além das grandes capitais
Diferentemente de ciclos de expansão anteriores, concentrados principalmente nas capitais e grandes centros urbanos, o crescimento atual do setor fitness brasileiro tem se caracterizado por um movimento relevante de interiorização. De acordo com o Panorama Setorial Fitness Brasil, 46% dos municípios do país já contam com centros de atividades físicas ativos, aproximando o setor de regiões historicamente menos atendidas por esse tipo de serviço. Essa descentralização cria oportunidades de negócio em cidades menores, mas também exige adaptação às demandas específicas de cada região, já que o perfil de consumo e a capacidade de investimento variam bastante entre diferentes localidades do Brasil.
Outro dado relevante levantado pelo mesmo estudo é que a maioria dos estabelecimentos do setor ainda opera em pequena escala, com até dez funcionários e uma única unidade. Esse modelo, típico de mercados em fase de amadurecimento, tende a funcionar bem em cenários de expansão, mas exige profissionalização crescente da gestão para conseguir se manter competitivo à medida que o setor se torna mais denso e disputado. Segundo levantamento da HFA Global Report de 2025, o Brasil já conta com mais de 41 mil academias ativas e cerca de 13,65 milhões de membros, o que representa uma penetração de 7% da população, o dobro do índice registrado em 2019, ainda distante, porém, dos 24,9% dos Estados Unidos.
Os principais desafios enfrentados pelos gestores
Apesar do crescimento expressivo em número de unidades, o setor enfrenta obstáculos relevantes que preocupam donos de academias em todo o país. Segundo dados do Panorama Fitness Brasil 2025, citados pelo blog da Pacto, 79% dos gestores apontam a carga tributária elevada como um dos maiores desafios do negócio, enquanto 70% destacam a dificuldade de recrutamento e seleção de profissionais qualificados como um obstáculo crítico para a operação. A combinação desses dois fatores, custos elevados e dificuldade de formar equipes competentes, tem pressionado as margens de lucro de muitos estabelecimentos, especialmente os de menor porte.
A estrutura de custos do setor também chama atenção: em média, 73% das academias brasileiras têm até 40% de seus gastos concentrados em pessoal, o que evidencia que o maior desafio financeiro do negócio está relacionado à gestão de equipes, e não necessariamente a equipamentos ou tecnologia. Curiosamente, o investimento em sistemas e tecnologia ainda representa uma fatia pequena dos custos totais, algo em torno de 10% para 64% das academias consultadas, o que sugere um espaço relevante de crescimento para soluções que automatizem processos e melhorem a eficiência operacional sem necessariamente representar um peso financeiro elevado.
O que vem pela frente para o setor fitness brasileiro
Olhando para 2026, especialistas do setor apontam que o diferencial competitivo não estará mais relacionado apenas à quantidade de equipamentos ou ao tamanho das instalações, mas sim à capacidade de gestão eficiente da base de alunos já existente. Como o modelo de negócio do setor é fortemente baseado em recorrência, para 40% das academias, mensalidades recorrentes representam até 70% do faturamento, reter e engajar os alunos atuais se tornou tão importante quanto conquistar novos clientes. Investimentos em tecnologia, como aplicativos personalizados, dados de comportamento e comunicação mais direcionada, aparecem como ferramentas centrais nessa nova fase do setor.
O comportamento do consumidor também está mudando. Pesquisas do setor indicam que a busca por bem-estar integral, com atenção a fatores como qualidade do sono e redução do estresse, já supera motivações mais tradicionais como emagrecimento ou estética na lista de prioridades de quem frequenta academias. Esse movimento reforça a tendência de que o mercado fitness brasileiro caminha para um modelo mais consultivo, no qual academias funcionam menos como espaços de treino isolado e mais como parte de uma rotina ampla de cuidado com a saúde física e mental.
O cenário atual mostra um setor pujante, mas em transformação. Se por um lado os números de expansão impressionam e colocam o Brasil entre os principais mercados fitness do mundo, por outro, os desafios de gestão, tributação e mão de obra qualificada mostram que sustentar esse crescimento exigirá cada vez mais profissionalização. Para quem acompanha o setor, os próximos anos devem ser decisivos para definir quais modelos de negócio conseguirão se consolidar em meio a essa nova fase do mercado fitness brasileiro.
Fontes consultadas:
- https://www.fitnessbrasil.com.br/newsfitbr/explosao-das-academias-no-brasil-setor-quase-triplica-em-10-anos-e-pode-ultrapassar-70-mil-cnpjs-ate-2027/
- https://blog.sistemapacto.com.br/mercado-fitness-em-2026-o-que-muda-para-academias/
- https://blog.sistemapacto.com.br/mercado-fitness-latino-americano-brasil-2026/
- https://sebraepr.com.br/impulsiona/mercado-de-academias-no-brasil-dados-e-tendencias/