Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, a trajetória da Linha 5 no Estreito de Mackinac ilustra um fenômeno recorrente em grandes projetos de infraestrutura crítica: o descompasso entre a expectativa política e a realidade técnica. Trata-se de um caso em que opinião pública, licenciamento e engenharia avançam de forma interdependente, mas raramente no mesmo ritmo.
Se em 2022 predominava o discurso de uma “aprovação acelerada” para o túnel sob o Lago Michigan, a leitura em 2026 tornou-se mais nítida. O senso de urgência permaneceu, mas o processo deixou claro que, em áreas ambientalmente sensíveis, o avanço só ocorre quando cada camada regulatória é atendida com rigor técnico.
Da narrativa de 2022 à realidade dos fatos
Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, a lógica inicial era direta: confinar o trecho submerso da Linha 5 em um túnel eliminaria o risco de colisões de âncoras e garantiria a continuidade do abastecimento regional. Contudo, a viabilidade técnica de um empreendimento dessa magnitude não se resolve por intenção ou conveniência política.
Essa percepção se consolidou em julho de 2022, quando a Michigan Public Service Commission reabriu o processo para exigir evidências mais robustas de segurança. A partir desse ponto, o debate deixou de ser binário, aprovar ou não aprovar, e passou a se concentrar no como executar, sob quais condições técnicas e com que responsabilidades claramente definidas.
O marco de 2023: Aprovação com condicionantes
Em dezembro de 2023, a MPSC aprovou o pedido de localização do túnel, mas impôs condicionantes relevantes. O órgão reconheceu o túnel como a alternativa mais adequada para mitigação de riscos, porém vinculou o avanço do projeto à obtenção de licenças adicionais e ao cumprimento de exigências técnicas futuras.
Nesse ponto, como ressalta Paulo Roberto Gomes Fernandes, aprovar um traçado resolve apenas uma etapa do processo, não a obra em si. A previsibilidade de um empreendimento dessa escala só se consolida quando o projeto atravessa, sem lacunas, o licenciamento ambiental e a validação técnica dos planos de operação, inspeção e manutenção.

2026 e o peso do licenciamento federal
Em 2026, o foco desloca-se para a esfera federal, especialmente para o papel do U.S. Army Corps of Engineers. Após a publicação do Draft Environmental Impact Statement (DEIS) em 2025, o debate se intensificou em torno dos impactos da construção, incluindo ruído, interferência em áreas úmidas e alterações na paisagem.
Mesmo com o projeto sendo tratado como prioridade em função da segurança energética, o desafio central de 2026 é equilibrar dois eixos fundamentais: a robustez técnica, que assegure que o túnel seja efetivamente seguro ao longo de décadas, e a legitimidade pública, que exige o atendimento às preocupações de comunidades indígenas e grupos ambientais.
Como destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes, decisões judiciais federais no fim de 2025 reforçaram que a segurança de dutos interestaduais é matéria de competência federal, impedindo o fechamento imediato por instâncias estaduais. Esse entendimento consolidou o túnel como a principal saída institucional para conciliar continuidade operacional e segurança.
Onde a discussão deixa a política e vira engenharia
Para além das manchetes, o sucesso da Linha 5 depende da engenharia de longo prazo. A questão central deixa de ser a velocidade de aprovação e passa a ser a capacidade de executar e manter uma infraestrutura em ambiente confinado por várias décadas. De acordo com Paulo Roberto Gomes Fernandes, o diferencial não está em slogans de rapidez, mas em um projeto executivo consistente, que inclua suportes estruturais adequados, controle de movimentações, planejamento rigoroso de inspeções robóticas e manutenção preventiva.
A lição de 2026
Paulo Roberto Gomes Fernandes enfatiza que se 2022 foi marcado por expectativas e 2023 por marcos regulatórios estaduais, 2026 se consolida como o ano do alinhamento fino. O caso da Linha 5 demonstra que infraestrutura crítica não avança por pressa, mas por comprovação. A prova mais relevante não é a assinatura de um contrato, e sim a demonstração contínua de segurança real, viabilidade operacional e governança técnica, sem atalhos que transfiram custos e riscos para o futuro.
Autor: George Sergei
