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Brasil

Diabetes, hipertensão e obesidade avançam no Brasil e governo lança pacote de R$ 340 milhões

Diego Rodríguez
Diego Rodríguez 13 de agosto de 2026
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Um novo retrato da saúde da população brasileira, divulgado pelo Ministério da Saúde, acende um alerta sobre o crescimento acelerado das doenças crônicas não transmissíveis no país.

Contents
Um levantamento que acompanha quase duas décadas de hábitosSono entra pela primeira vez no radar da pesquisaO que muda na prática para o cidadão

Segundo os dados do Vigitel 2025, pesquisa que monitora anualmente fatores de risco e proteção para essas condições, o número de adultos brasileiros com diabetes aumentou 135% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9%. No mesmo período, outras condições também avançaram de forma expressiva: a hipertensão cresceu 31%, a obesidade subiu 118% e o excesso de peso aumentou 47%. Agência GovAgência Gov

Um levantamento que acompanha quase duas décadas de hábitos

O Vigitel é conduzido por telefone com adultos de todas as capitais brasileiras e do Distrito Federal, reunindo informações sobre alimentação, prática de atividade física e diagnóstico de doenças crônicas. Segundo o Portal SBEM, o aumento no diagnóstico de diabetes autorreferido é um dos indicadores mais preocupantes da série histórica, enquanto o excesso de peso em adultos passou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024. Ainda assim, há um ponto positivo no meio desse cenário: a prática de atividade física de pelo menos 150 minutos semanais aumentou de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024, mostrando que parte da população já vem incorporando hábitos mais saudáveis, mesmo sem conseguir reverter sozinha a curva das doenças crônicas. SBEMSBEM

Um detalhe chama atenção nos dados: o avanço da obesidade não se concentrou apenas entre pessoas mais velhas. De acordo com o Brasil 61, os maiores aumentos percentuais ocorreram entre adultos de 25 a 44 anos, com a faixa de 25 a 34 anos variando de 37,5% em 2006 para 61,7% em 2024, e a faixa de 35 a 44 anos indo de 48,8% para 69,2% no mesmo intervalo. Isso indica que o problema já atinge a população em plena idade produtiva, o que amplia o impacto sobre o sistema de saúde e sobre a economia do país nos próximos anos. Brasil 61

Diante desse cenário, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou a estratégia Viva Mais Brasil em evento realizado no Rio de Janeiro. Trata-se de uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. O programa prevê investimento de R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física, com destaque para a retomada da Academia da Saúde, que deve receber R$ 40 milhões ainda em 2026, conforme portaria assinada no mesmo dia do anúncio. Agência GovAgência Gov

Sono entra pela primeira vez no radar da pesquisa

Outra novidade da edição 2025 do Vigitel é a inclusão de dados nacionais sobre sono, tema que nunca havia sido mapeado dessa forma pelo inquérito. Os números mostram que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% apresentam sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres. A inclusão desse indicador reforça a compreensão de que hábitos de sono, alimentação e atividade física caminham juntos na construção da saúde metabólica, e não podem mais ser tratados como temas isolados nas políticas públicas.

Em declaração sobre os resultados, o ministro da Saúde ponderou que hipertensão, diabetes e obesidade têm causas multifatoriais e que, apesar de avanços em hábitos como a redução no consumo de refrigerantes e sucos artificiais e o aumento da prática esportiva, esses fatores ainda não têm sido suficientes para conter o crescimento das doenças, especialmente porque a população brasileira está envelhecendo e o risco de desenvolver essas condições aumenta com a idade, segundo reportagem do jornal O Tempo.

O fortalecimento da atenção primária à saúde é apontado como peça central da nova estratégia. Segundo o Ministério da Saúde, foram estabelecidos, em 2025, 15 indicadores de qualidade para aprimorar o acompanhamento da Atenção Primária, com foco na assistência de crianças, gestantes, idosos e no monitoramento de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. A ideia é que unidades básicas de saúde funcionem como a porta de entrada para diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo, reduzindo a necessidade de internações por complicações que poderiam ter sido evitadas. Ministério da Saúde

O que muda na prática para o cidadão

Para quem convive com risco de diabetes, hipertensão ou obesidade, o retorno de programas como a Academia da Saúde deve significar mais acesso a espaços públicos de orientação para a prática de exercícios, geralmente vinculados a unidades de saúde da família. Especialistas da área costumam recomendar caminhadas regulares, redução do consumo de alimentos ultraprocessados e acompanhamento médico periódico como primeiras medidas de prevenção, independentemente da idade em que os hábitos começam a ser adotados.

Os dados do Vigitel 2025 devem orientar o planejamento de ações de saúde pública ao longo dos próximos anos, servindo de referência para estados e municípios na formulação de programas locais de prevenção. Com o Viva Mais Brasil recém-lançado, a expectativa do Ministério da Saúde é que o investimento em promoção da atividade física comece a surtir efeito nas próximas edições da pesquisa, ainda que a reversão de tendências consolidadas ao longo de quase duas décadas deva ser um processo gradual.

Fonte: Agência Gov, Ministério da Saúde | Brasil 61 | Portal SBEM

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